Devemos implementar um modelo do tipo pague o que puder?

Um número cada vez maior de organizações está escolhendo um modelo estilo pague o que puder ou pague o que quiser, às vezes só por um período de testes, mas também, muitas vezes, indefinidamente. O Daily Maverick, da África do Sul, decidiu usar essa proposta de preços indefinidamente, enquanto o Zetland, na Dinamarca, permitiu que novos membros definissem o seu preço para o primeiro mês como parte de uma campanha, após a qual pagariam cerca de US$ 20 por mês.

As organizações que escolheram esse modelo de preços citam os seguintes motivos: Ele torna a adesão ao programa de membros disponível para um setor mais vasto da comunidade. (O preço livre, por si só, não é suficiente para tornar seu programa mais inclusivo. Mas se você tomou medidas adicionais, como diversificar sua equipe e suas fontes, remover essa barreira pode ser uma boa etapa final). Isto também facilita que os membros que têm a capacidade de contribuírem com mais assim o façam.

Como mencionado antes, se a sua proposta de valor é que você está produzindo um bem público que qualquer pessoa possa acessar, então você está pedindo aos membros que contribuam numa proporção que expresse o valor do seu trabalho e também o do acesso aberto a ele. O modelo pague o que puder enfatiza a noção de bem público e a motivação dos membros de forma mais poderosa do que os preços separados por níveis. 

Styli Charalambous, do Daily Maverick, reflete sobre essa dinâmica: “Além de tirar a fricção do processo, [o modelo pague o que puder] também explora uma parte diferente do cérebro — e do orçamento. O cansaço com o modelo de assinaturas é real, e as publicações na África do Sul precisam competir com o New York Times por uma fatia do orçamento reservado à imprensa… Mas as pessoas podem e apoiam várias boas causas que lhes dizem respeito. Queríamos transmitir que nossa causa merecia o seu apoio, assim como a Sociedade Protetora dos Animais, o National Sea Rescue Institute ou programas de desenvolvimento educacional.”

Depois de quase dois anos tendo um modelo do tipo pague o que puder, o Daily Maverick aprendeu que, embora a maioria das pessoas não adote a opção mais baixa possível, era necessário criar alguns incentivos para conseguir que membros que pudessem contribuir com mais assim o fizessem. No caso deles, instituíram um benefício só disponível para os membros que contribuíram com mais de R150 (cerca de US$ 10) por mês.

 

Como o Daily Maverick desenvolveu um modelo ‘pague o que puder’

Um benefício bem desenhado incentiva aqueles que podem contribuir com mais a fazê-lo, enquanto mantém a membresia acessível para todos.

Na rádio WURD, na Filadélfia, a presidente Sara Lomax-Reese disse que vê duas extremidades em um espectro de alternativas de contribuições. Houve pessoas que deram US$ 1.000 e disseram que não queriam nada em troca de sua doação, e também houve pessoas que não conseguiram atingir o nível mínimo de adesão de US$ 90 por ano, mas mesmo assim queriam mostrar o seu apoio da maneira que conseguissem. “Tem um cara que me manda US$ 1 todo mês! Ele me envia este belo recado, no qual diz ‘Não tenho US$ 90, mas tenho US$ 1’”.

Para organizações que não desejam implementar um modelo de adesão do tipo pague o que puder, mas desejam atender a todo o espectro de apoiadores, aceitar doações únicas junto com a adesão regular pode atender a essa necessidade.