Devemos construir uma nova ferramenta ou adquirir uma tecnologia já existente?

Comprar ou construir é uma das decisões mais importantes que um meio de comunicação pode tomar ao decidir sobre as ferramentas e tecnologias que vai usar em seu programa O uso de ferramentas está, em última instância, a serviço de seus membros e do seu programa de adesão, e você precisa garantir que as plataformas que usa para produzir o seu jornalismo e gerenciar as adesões atendem às suas necessidades. 

Existem compensações entre comprar e construir. Nenhuma tecnologia disponível atenderá a todas as suas necessidades, mas embora comprar vá acarretar em perda de flexibilidade, também significará economias de custo e de tempo para a construção de sua própria ferramenta ou plataforma. Aqui estão alguns detalhes sobre o que considerar quando você se depara com uma decisão entre construir e comprar.

Quando comprar (licenciar) uma ferramenta ou tecnologia

Você pode optar por comprar uma licença para uma ferramenta ou tecnologia se: 

  • Não dispõe de capacidade de pessoal. Se você não tem as habilidades ou capacidade de pessoal para construir e manter uma ferramenta ou sistema, o MPP não recomenda a construção. A nossa equipe de pesquisa descobriu que manter ferramentas personalizadas ao longo do tempo é uma fonte particular de estresse para as equipes de desenvolvimento de software de meios de comunicação. 
  • Você não tem orçamento suficiente. O desenvolvimento de softwares personalizados é caro e exige investimentos iniciais e custos de manutenção contínuos. Se você não tem orçamento para apoiar a pesquisa e o desenvolvimento necessários para construir uma ferramenta ou sistema, não construa. E se você dispõe do orçamento inicial (digamos, por meio de uma doação) para construir um sistema ou ferramenta, mas não tem certeza se terá o orçamento para mantê-lo depois, também não construa.
  • Você encontrou uma alternativa boa o suficiente. As escolhas de tecnologia dizem respeito a compensações, a custos e benefícios. Se você é um veículo de pequeno ou médio porte e encontrou uma tecnologia pronta para uso que atende às suas necessidades, ou pode ser personalizada para atendê-las com um pequeno investimento, é melhor comprar do que construir.

Se você estiver pensando em comprar ou licenciar uma ferramenta ou tecnologia, entenda que a maioria dos softwares se enquadra em uma ou mais das seguintes categorias:

Código aberto: Softwares de código aberto são criados e mantidos por uma comunidade pública de desenvolvedores. Geralmente, qualquer um pode pegar a base de código existente e implementá-la sem custo. O CMS da WordPress é um exemplo de uma plataforma de código aberto. Embora qualquer pessoa possa utilizar o código base, também existem versões pagas que oferecem níveis adicionais de suporte. 

Uma nota de cautela: há dezenas de tipos diferentes de licenças de código aberto, cada uma das quais com diferentes estipulações e limitações. Você deve estar familiarizado com a licença específica do software que está usando. A Open Source Initiative mantém um banco de dados abrangente de licenças.  

Ferramentas gratuitas: Softwares que foram criados para serem usados gratuitamente, embora também possam ter camadas pagas. A versão gratuita dessas ferramentas pode ter restrições em termos de funcionalidades ou possibilidades de marca. Elas também podem incluir anúncios ou outros limites para a monetização. 

Por exemplo, o Canva é uma ferramenta de design online fácil de usar que pode ser empregada para produzir gráficos para mídias sociais. Seu nível gratuito dá acesso a mais de 8 mil modelos, mas você não pode personalizar as fontes ou as cores para combinar com a  sua identidade de marca, a menos que você tenha uma conta paga. 

Parte de um pacote de ferramentas: Algumas empresas de software têm uma opção “pronta para usar”, um pacote de ferramentas projetado para se conectar entre si.

A Salesforce é mais conhecida por seu CRM, mas também oferece serviços adicionais que variam de provedores de serviços de e-mail a marketing automático e até a ferramentas de produtividade. 

Alguns meios de comunicação usam uma mistura entre ferramentas de código aberto, gratuitas e outras. Outras redações optam por um sistema integral, que pode ser usado imediatamente após a compra. 

Quando construir uma ferramenta ou tecnologia

Construir a sua própria solução de tecnologia é uma decisão que terá consequências significativas. Ao criar o seu próprio software, você terá maior controle sobre as funcionalidades e poderá personalizá-las de acordo com as suas necessidades e modos de uso. 

Aqui estão alguns motivos pelos quais você pode optar por construir a sua própria ferramenta: 

  • Não há nada no mercado que atenda às necessidades específicas de sua redação: Você fez todas as pesquisas que podia e acredita que os produtos existentes no mercado não atendem às necessidades da sua organização. Ao construir o seu próprio produto, você terá mais controle sobre as funções e a segurança. A construção própria oferece a flexibilidade de criar ferramentas que realmente atendam às suas necessidades específicas. 
  • Você está procurando ganhar escala: Se a sua organização está se expandindo, você pode rapidamente superar as funções disponibilizadas por uma ferramenta pronta para uso. Ao construir a sua própria, você pode continuar a replicar seus modelos e adicionar recursos que atendam ao crescimento da sua organização. 
  • Você está em busca de um novo modo de negócios: Construir suas próprias ferramentas também gera oportunidades para um novo fluxo de receita. Pode, por exemplo, haver oportunidades no futuro para licenciar a tecnologia para outras empresas, se as suas necessidades realmente refletirem as demandas de muitas outras pessoas no setor.

O caso particular das atualizações de infraestrutura. Foram concedidos fortes incentivos recentemente em apoio ao aprimoramento técnico de meios de comunicação de pequeno e médio porte sem fins lucrativos, especialmente para atualizações de infraestrutura de CMS, CRM e ESPs. A equipe de pesquisa do MPP viu muitas redações pequenas que cresceram de repente e logo em seguida passaram por dificuldades porque seus sistemas técnicos (particularmente os sistemas de CMS e CRM) não atendiam mais às suas necessidades. 

Embora uma atualização de infraestrutura seja um investimento técnico significativo (mesmo que seja financiado externamente), as atualizações de sistemas centrais tendem a durar mais tempo e podem ser melhores para a sustentabilidade de longo prazo de sua organização do que a construção e o lançamento de ferramentas.

Não recomendamos que redações de pequeno e médio porte construam seus próprios sistemas centrais de infraestrutura (CRM e CMS em particular). No entanto, se você puder obter financiamento para atualizar a sua infraestrutura e adotar um sistema existente e testado, que tornará sua publicação e sua arrecadação mais eficiente, esses investimentos podem valer a pena — contanto você faça um orçamento adequado para os custos de migração, equipe de suporte e manutenção de custos ao longo do tempo. Consulte “erros técnicos” abaixo para saber mais sobre os riscos e benefícios das atualizações de infraestrutura.

À medida que o programa de membros do El Diario cresceu, a redação do veículo espanhol percebeu que precisava de melhores ferramentas para servir aos membros e à sua redação. Com o apoio de uma bolsa do Google DNI, eles decidiram investir na construção de seu próprio CRM.

 

Como o El Diario decidiu que valia a pena construir seu próprio CRM

Um dos benefícios do El Diario é um navegação sem anúncios - mas com o CRM antigo, isso deixava caixas brancas no site.

Enquanto isso, o The Dispatch, em Washington, DC, trabalhou com o Substack para adaptar o seu sistema para atender às suas necessidades. Como resultado, a pequena startup desistiu de alguns recursos, mas poupou tempo de equipe e fundos que, de outra forma, poderiam ser gastos no desenvolvimento.

 

Como o The Dispatch usou o Substack a seu favor

O The Dispatch precisou abrir mão de um website robusto, mas, ao escolher o Substack, liberou sua equipe para focar no jornalismo.