Como podemos nos abrir à participação em assuntos delicados?

As formas de trabalho dos membros exigem que as redações sejam cuidadosas ao avaliar os limites entre a transparência e a criação conjunta. É necessário proteger a integridade de seu trabalho, de sua equipe e a segurança e o bem-estar dos participantes do programa. Haverá matérias que você fará que não são adequadas para essa forma de trabalhar, e não há problema algum nisso. Por exemplo, a cobertura de um assunto sigiloso transmitido por uma fonte ou a cobertura de um ataque a tiros podem não ser a melhor oportunidade para a colaboração.

As redações buscam diminuir os riscos dos membros do público envolvidos em reportagens de várias maneiras. Estas incluem exigir que os membros do público assinem memorandos de entendimento e concordem com embargos, como o faz o Bureau Local. O Reveal, no Center for Investigative Reporting, incluiu um processo de verificação em duas partes para a série “Detetives de Ódio”, na qual voluntários ajudaram a localizar e rastrear o discurso de ódio na internet. A verificação incluía preencher um formulário no Screendoor e enviar uma cópia da carteira de identidade. 

É possível envolver os membros do público em uma parte de uma reportagem investigativa, sem no entanto revelar a história inteira. Você pode publicar uma convocação pedindo para os membros da audiência compartilharem uma experiência de discriminação, sem revelar que, por trás disso, está investigando uma dica de uma fonte sobre o mesmo assunto. Sempre se pode limitar a participação do público à fase de pós-publicação. 

Se você está convidando as pessoas para se envolverem com o seu veículo, ele precisa ser um lugar seguro para elas. Isso significa ter facilitadores e / ou moderadores presentes para o caso de eventuais conversas hostis, dispor de diretrizes claras na comunidade e também de um plano para aplicá-las, se necessário. 

A equipe da Black Ballad, no Reino Unido, conversa com as participantes de seu programa de membros em um grupo fechado no Slack. Isso limita o alcance das conversas e quem pode estar nelas, mas também garante que a comunidade da organização — formada principalmente por mulheres negras britânicas — está protegida do tipo de abuso que vivencia em outros lugares na internet.

Se você começar a sistematicamente rastrear informações sobre a participação do público, é importante ser transparente sobre isso. Uma maneira simples de lidar com isso é perguntar ao público: “Você estaria disposto a ser contatado novamente sobre esse assunto no futuro? Talvez a pessoa da minha organização seja outra, mas não compartilharemos essas informações além de nossa equipe”. Você deve manter registrado em seu sistema interno quem é o ponto de contato com aquele membro, para que outros integrantes da equipe saibam quem deve abordar cada pessoa.

A segurança digital também é fundamental. Esta não é a área de especialização da nossa equipe de pesquisa. O MPP sugere a lista de recursos da Global Investigative Journalism Network, bem como para o Kit de Segurança Digital do Committee to Protect Journalists.