Como podemos garantir que não temos uma abordagem extrativista?

Os membros do seu público não são seus voluntários, eles são seus colaboradores. Suas contribuições não são mão de obra gratuita, mas sim uma barganha na qual os dois lados dão e recebem. As oportunidades de participação devem ser mutuamente benéficas, e os colaboradores devem receber um reconhecimento significativo por sua ajuda. Sem isso, você corre o risco de deixar os membros da audiência se sentindo usados ​​e ainda mais desconfiados de seu veículo do que eles fariam se você não os convidasse para participação alguma. 

Além de prestar atenção às motivações do público em seu planejamento, o simples ato de fazer algumas perguntas no início de seu trabalho com o público pode ajudar muito para estabelecer um relacionamento mutuamente benéfico:

  • O que podemos ajudá-lo a fazer?
  • Como podemos oferecer aquilo de que você precisa? (como softwares, treinamento ou espaço físico para trabalhar; o CORRECTIV, na Alemanha, fornece aos seus verificadores de fatos um endereço de e-mail da empresa para o trabalho).
  • Como podemos respeitar o seu tempo?
  • Como você quer ser reconhecido?

Algumas organizações oferecem uma adesão gratuita para membros da audiência que contribuem, ou então incluem as suas assinaturas na publicação final. O City Bureau, o CORRECTIV e o Bureau Local oferecem não apenas oportunidades de participação, mas também de treinamento, o que expande a oportunidade para aqueles que ainda não possuem as habilidades necessárias, mas estão ansiosos para aprendê-las. O CORRECTIV paga a seus verificadores de fatos de € 50 a € 70 para cada artigo que eles verificam (em agosto de 2019), e o City Bureau paga a seus documentadores (os “documenters) US$ 16 por hora para documentarem reuniões públicas (e oferece uma taxa se a reunião for cancelada).

guia para reportagens menos extrativistas da Universidade de Wisconsin apresenta 12 regras para repórteres que se envolvem com membros da comunidade. De “Saiba o que você e seu meio de comunicação trazem para a mesa (para o bem ou para o mal)”, até “Como abordar as lacunas de informação das fontes de maneira adequada”, essas regras são facilmente adaptadas para o jornalismo colaborativo.