Desenvolvendo rotinas de membros

Quando o jornalismo responde a necessidades de uma comunidade e é criado com a participação das mesmas, então recebe o nome de jornalismo engajado. Quando feito de forma consistente, ele se torna uma verdadeira criação conjunta.

Embora o jornalismo engajado tenha se tornado uma prática muito difundida, a maioria dos veículos ainda se esforça para conseguir evoluir de iniciativas e projetos ocasionais para processos capazes de repetição, que inserem a criação conjunta na cultura da organização. O MPP enfatiza rotinas porque — em uma variação do mantra“aquilo que é medido, é feito” — o que se torna rotina, também se torna uma cultura. 

O jornalismo engajado não se restringe a projetos únicos, mas é isto que tem acontecido na maioria dos lugares neste momento. É por isso que esta seção se concentrará em abordar as rotinas de membros: os fluxos de trabalho que conectam os membros do público ao jornalismo e às pessoas que o produzem de maneira consistente. 

As rotinas de membros são uma parte crucial de sua estratégia para desenvolver o seu programa de membros. Elas contribuem para a força de um de programa de membros ao:

• Ajudar a expandir o programa, porque os membros engajados do público têm maior probabilidade de se converterem e aderirem ao programa;
• Fornecer feedback constante e informal aos jornalistas, o que torna o jornalismo mais “aderente”;
• Aprofundar o relacionamento dos membros com a organização, tornando os membros mais “aderentes”.

As rotinas de membros também possuem valor financeiro, seja nas receitas geradas ou nas contribuições não monetárias. O MPP percebeu que esses benefícios também são válidos para meios de comunicação baseados em assinaturas ou em doações que também estabelecem rotinas de membros.

Mas se você deseja que os membros do público aceitem seus convites para participar, você deve criar oportunidades desejáveis de participação. Essas oportunidades também precisam ser tecnicamente viáveis e exequíveis considerando os recursos disponíveis. Quando todas as três necessidades são atendidas, as rotinas de membros — uma inovação em como o seu jornalismo é produzido — enraízam-se no público.  

A equipe de pesquisa do MPP não se aprofundará em como fazer projetos com seus membros, também conhecidos como projetos de jornalismo engajado, porque você pode encontrar informações sobre isso em outros lugares. Em vez disso, o MPP o orientará de modo a possibilitar a identificação de oportunidades de participação que são desejáveis, viáveis ​​e exequíveis ​​— fazendo com que possam ser potentes e replicáveis —, e então o ajudará a desconstruí-las, para que assim possam ser transformadas em rotinas.

Meios de comunicação que oferecem caminhos flexíveis de participação estão bem posicionados para alcançar sucesso em suas empreitadas. Esses veículos geralmente têm várias necessidades e fazem “pedidos” explícitos ao público, com abordagens flexíveis sobre como, quando e em que grau os membros podem participar. Isso realmente aprofunda a fidelidade. Vista dessa forma, a participação torna-se parte de uma estratégia de fidelização e retenção, que merece ser medida com tanto rigor como quando se mapeia a jornada de alguém de visitante do site a membro pagante. Como o pesquisador JP Gomes disse ao MPP, “é possível que a participação medida em horas, em vez de dólares, se relacione a como as pessoas se sentem conectadas a uma organização.”

As rotinas de membro não precisam estar diretamente ligadas à produção jornalística. O objetivo delas pode ser criar uma comunidade a partir do seu jornalismo, como o DoR faz com os seus programas de jornalismo ao vivo na Romênia, a KPCC faz com o UnheardLA em Los Angeles e a Radio Ambulante faz com seus clubes de escuta. Oportunidades de participação criativa como essas podem ser surpreendentes e libertadoras tanto para os meios de comunicação quanto para o público.

Se você não sabe por onde começar, peça aos seus membros para preencherem uma pesquisa de opinião. Ser voluntário em uma pesquisa de audiência é uma das formas mais simples de participação que você pode oferecer. É algo valioso por si só, mas também pode ser o primeiro passo em um caminho de maior participação. Você sempre precisa de pessoas para ajudá-lo respondendo a uma pesquisa ou concedendo uma entrevista. Se alguém lhe perguntar: “O que posso fazer além de dar dinheiro?”, a resposta mais simples geralmente é “Diga-nos o que você acha disso” ou “Preencha esta pesquisa”. 

Se você é novo no conceito de jornalismo engajado ou no de jornalismo com ajuda dos membros, a introdução à prática da Gather é um bom lugar para começar. Abaixo estão seis lugares onde você pode encontrar guias, estudos de caso e exemplos de projetos de jornalismo engajado. 

• Gather, uma comunidade online para o jornalismo engajado que inclui estudos de caso e bate-papos relâmpago
Better News, uma coleção de estudos de caso e de pesquisas do American Press Institute 
The Engaged Journalism Accelerator, que inclui estudos de caso e guias 
• A coleção de estudos de caso e de guias da Hearken
Engagement at KPCC, site onde a Southern California Public Radio documenta o seu trabalho de jornalismo engajado
•  The Participatory Journalism Playbook, um guia de campo sobre como ouvir e reportar junto com comunidades
 
Se esta seção o motiva, nós o encorajamos a ler o relatório de agosto de 2019 do  Membership Puzzle Project “Fazendo um jornalismo mais integrado com os membros”. (Inglês, espanhol)