Benefícios são algo exclusivo demais para nossa missão?

Os meios de comunicação estão cada vez mais preocupados com a inclusividade de sua cobertura e como as histórias que decidem contar, implícita ou explicitamente, excluem as próprias pessoas que os veículos desejam servir. O MPP descobriu na sua pesquisa de usuários para este manual que muitas redações também estão preocupadas com a inclusividade de seus programas de membros. Esses veículos enfrentam desafios ao tomar decisões sobre os benefícios dos membros, especialmente quando decidem quais experiências devem estar disponíveis para todo o público e o que deve ser oferecido como forma de enriquecer a experiência de quem se filiar.

“Precisamos encontrar o equilíbrio entre o quanto queremos celebrar e cativar nossos membros, e o quanto não queremos fazer com que as pessoas que não podem se dar ao luxo de serem membros se sintam punidas, desconsideradas ou não valorizadas. Portanto, estamos sempre tentando seguir essa linha tênue”, disse Sara Lomax-Reese, presidente da WURD Radio na Filadélfia. Uma maneira singela de resolver isso é periodicamente oferecer ingressos de eventos para todos como brindes.

Quando se trata de definir os recursos de um programa de membros, o MPP incentiva as redações a pensarem sobre a mensagem que cada benefício envia ao público. Você escolhe cada benefício porque acha que ele terá repercussão entre seus membros. Isso significa que os benefícios que você escolhe dizem muito sobre quem você acredita que seus membros são — e dizem aos membros em potencial se eles pertencem ou não ao seu programa. Nesta seção, abordamos dois eixos de exclusividade nos quais prestar atenção: lugar e conteúdo.

Exclusividade baseada em um lugar. Para meios de comunicação que têm por base um lugar específico, como uma cidade, região ou bairro, é particularmente importante se preocupar com a possível exclusividade dos locais. Tudo, desde os lugares para os quais você oferece descontos, até onde você realiza seus eventos, envia um sinal sobre em qual parte da cidade seus membros se localizam. Em cidades que estão passando por processos de gentrificação, é importante considerar se os locais que você promove estão enraizados na comunidade e são reconhecidos por ela.

Você pode fazer estas perguntas para avaliar os recursos do seu programa de membros:

  • Se você for uma redação local, mapeie os locais dos eventos e dos seus parceiros de negócios locais. Eles estão concentrados em bairros específicos? Eles são acessíveis via transporte público?
  • Quem é o público-alvo das entidades para as quais você oferece descontos ou parcerias? Elas mostram um compromisso semelhante ao seu em questões de equidade e inclusão? 

Exclusividade de conteúdo: Ao considerar conteúdo só para membros, lembre-se de que muitos membros não querem um paywall no jornalismo que apoiam. Eles querem compartilhá-lo livremente e celebrar o papel que desempenham em seu sucesso. O Digital News Report 2020 do Reuters Institute of Journalism descobriu haver uma preocupação crescente com a desigualdade de informações, especialmente nos Estados Unidos. “Eu pago para manter as notícias gratuitas para todos” é uma proposta de valor que reverbera fortemente com o público, das rádios públicas nos Estados Unidos ao Guardian e ao Daily Maverick na África do Sul. Se você sabe que esse acesso abrangente é algo que seus membros valorizam, permitir que somente eles, e não os demais, tenham acesso total ao seu jornalismo seria contrário às suas motivações. 

Dito isso, embora os paywalls sejam mais comuns em um modelo de assinatura, eles também são uma característica e fazem parte de muitas redações com programas de membros. Paywalls não são um modelo em si; eles são um mecanismo de solicitação de pagamentos. Se você está procurando conselhos sobre qual conteúdo restringir atrás de um paywall, o Membership Puzzle Project recomenda o “Digital Pay Meter Playbook”, do Lenfest Institute e do Shorenstein Center.

A maioria dos veículos com programas de membros sem paywalls consegue equilibrar a exclusividade de seu conteúdo oferecendo alguns extras apenas para membros — como newsletters dos bastidores da redação e bate-papos com especialistas —, enquanto mantém os principais conteúdos jornalísticos disponíveis para todos. Mas algumas redações com as quais o Membership Puzzle Project conversou enquanto conduzia a sua pesquisa estão considerando evitar qualquer benefício baseado em acesso, porque sentem que isso prejudica o seu compromisso com a equidade e está fora de sintonia com o que motiva as pessoas a se tornarem membros de sua organização. 

“O principal ponto do nosso modelo é que todos tenham acesso ao nosso trabalho. As perguntas que fazemos a nós mesmos são: Como uma organização sem fins lucrativos tem um programa de membros? Como devemos ser acessíveis a todos e, ao mesmo tempo, oferecer benefícios aos membros? Como podemos criar um programa verdadeiramente inclusivo?”, disse Kary Perez, do Chalkbeat, à nossa equipe de pesquisa.

Até agora, o Chalkbeat decidiu que não restringirá o acesso a nada que seja útil para resultados educacionais. A equipe do site também está explorando como criar caminhos para a adesão que não exijam uma troca monetária. Isso é o que faz a Maldita, na Espanha: eles concedem status de membro tanto para aqueles que os apoiam financeiramente quanto para aqueles que os auxiliam como verificadores de fatos.

 

Como a Maldita recorre os “superpoderes” de seus membros para a checagem de fatos

A Maldita afasta os trolls que tentam prejudicar o seu fact-checking pedindo para que as pessoas anexem provas de suas credenciais.